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Uma pesquisa realizada recentemente pelo prestigiado instituto de
pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor) confirmou uma realidade vivida
há anos por nosso País. As mulheres brasileiras estão em quarto lugar no
ranking mundial de empreendedorismo, à frente de emergentes como Chile e de
potências como Estados Unidos e França. Então, o espírito empreendedor se
manifesta na mulher brasileira diferentemente do homem? Será que usa atributos
essencialmente femininos (como sensibilidade e intuição) na hora de se lançar
em um novo negócio ou mesmo implantar um projeto na empresa que trabalha? Isso
faz dela uma empreendedora nem melhor nem pior, mas diferente de seu colega
homem? Como isso afeta a gestão do negócio em si? E de que forma isso interfere
em uma maior inserção da mulher empreendedora no mercado de trabalho?
Segundo a pesquisa, o que leva a brasileira a empreender é
principalmente a necessidade. Mais da metade das entrevistadas (58%) partiu
para o negócio próprio para ajudar nas despesas da casa. Ou seja, são milhões
de brasileiras que, além de executar as tarefas de casa, iniciam um negócio
próprio muitas vezes depois de cumprir oito horas de trabalho regular. Por que,
então, depois de tanto fazer, as mulheres ainda têm ânimo para fazer decolar
seu próprio negócio?
Para muitos o sonho é a primeira etapa do planejamento estratégico das
empresas, carreiras e até mesmo dos países. Existem algumas características do
universo feminino que, de forma preconceituosa, eram consideradas fraquezas,
como impulso para acomodar situações, sensibilidade para a necessidade dos
outros, preocupações comunitárias, etc., mas acabaram virando vantagens no
mundo corporativo atual.
Outros apostam que é visão de futuro. O pesquisador americano Warren
Farrell estuda empreendedorismo há anos. Para ele, não há dúvida: as mulheres
querem ter uma vida equilibrada, o que as torna menos competitivas. "Mas,
quando decidem ir atrás de sucesso e dinheiro com engajamento, elas deixam os
homens para trás". Segundo Farrell, "mulheres geralmente querem ter
um negócio que faça parte de sua vida particular, mas que também permita que
elas tenham tempo para a ginástica, para os filhos, para si mesmo. Isso tem um
preço". Mas ele é categórico: a mulher que tem como prioridade na vida
fazer sua empresa crescer provavelmente terá sucesso igual a um homem nas
mesmas condições ou maior. Para Farrell, uma mulher ambiciosa, que tem ou quer
ter uma empresa e cuja prioridade é trabalhar para sustentar a família, deve
saber uma coisa importante: se ela realmente quer isso para sua vida,
provavelmente terá desempenho superior ao do marido.
Pois bem, a soma de tudo conduz a uma certeza: o mundo do
empreendedorismo não existe hoje sem a efetiva participação feminina. De acordo
com a revista britânica The Economist , na última década o
trabalho das mulheres contribuiu mais para o crescimento da economia mundial e
ao combate à pobreza do que a impressionante taxa de crescimento do produto
interno bruto da China.
Acredito em tudo isso, mas adiciono outro motivo para o sucesso da
brasileira no empreendedorismo: perseverança. Quando decidem fazer as mesmas
coisas que os homens fazem, elas quase sempre se saem melhor. Estudos mostram
que mulheres que não casaram e não tiveram filhos ganham 17% mais do que homens
na mesma condição. Essa descoberta derruba completamente o mito de que as
mulheres seriam discriminadas no campo profissional apenas por terem nascido
mulheres.
Percebam que pessoas envolvidas em qualquer atividade empreendedora, em
qualquer estágio do seu negócio, tendem a ser mais confiantes em suas próprias
habilidades. Provavelmente, conhecem outros empreendedores e estão mais alertas
para a possibilidade de oportunidades ainda não exploradas.
Como conclusão, seja para começar um micro-negócio no Brasil, liderar
uma empresa multimilionária nos Estados Unidos ou incrementar uma competitiva
empresa de alta tecnologia na Coréia do Sul, as mulheres empreendedoras estão
se tornando um crescente e importante componente da economia mundial, do
aumento de produtividade desta e do esforço global contra a pobreza.
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